REDE LA SALLE
   Domingo, 5 de Setembro de 2010
São João Batista de La Salle

Na França, o século XVII foi de muito luxo para poucos e de grande miséria para a maioria. As poucas escolas atendiam apenas 10% das crianças. Neste contexto histórico, em 1651, nasceu João Batista de La Salle, na cidade de Reims. Era o primogênito da família de Luís de La Salle. Conforme o costume da época, deveria seguir a carreira do pai: a magistratura. Mas Deus colocou em seu coração o desejo de se tornar sacerdote. Isso transformou os planos dos pais. Bons cristãos que eram, aprovaram a idéia do filho. Enviaram-no à capital, Paris, para estudar na Sorbonne, e formar-se num dos melhores Seminários da época, o de S. Sulpício. Ele deveria ser um sacerdote digno dos DE LA SALLE.

Aconteceu, porém, que, num espaço de menos de um ano, João Batista ficou órfão de pai e mãe. Como primogênito, segundo exigiam as leis da época nessa situação, retornou à família para tomar conta da casa e da educação de seus irmãos menores. Entretanto, não desistiu da vocação pela qual optara pessoal e livremente. Continuou os estudos em sua própria cidade. Doutorou-se em Teologia e ordenou-se sacerdote.

João Batista De La Salle, que já era Cônego desde os 16 anos, sonhava em abdicar deste cargo para tornar-se pároco. Mas Deus o encaminhou para uma missão diferente. Em 1678, logo após sua ordenação sacerdotal, La Salle assumiu a orientação da Congregação Religiosa das Irmãs do Menino Jesus, dedicada à educação de meninas pobres e fundada por seu Orientador Espiritual, Padre Nicolau Roland, que acabara de falecer. Essa experiência mudou os rumos da vida de La Salle.

E, para comprometer o jovem sacerdote definitivamente na obra da educação dos pobres, a Providência Divina pôs em seu caminho o Sr. Adriano Nyel. Este senhor veio de Rouen para criar uma escola para meninos pobres em Reims. O Sr. Nyel viu em La Salle , o primeiro sacerdote que encontrou em Reims, a pessoa ideal para orientar a fundação da sonhada escola. Dados os primeiros passos dessa fundação, La Salle tornou-se cooperador de Nyel no processo de formação de professores. Para acompanhá-los melhor e dar-lhes instrução e formação, La Salle levou-os para sua casa. Família e parentes tiveram dificuldades de conviver com o grupo de professores que partilharam horários de orações e refeições com La Salle. A atitude de La Salle não agradou e La Salle saiu do espaço de sua família e foi morar com os professores numa casa alugada. Para não só viver com eles, mas também ser pobre com eles, renunciou ao título de Cônego da Catedral de Reims e distribuiu parcela de seus bens entre os pobres durante uma época de fome.

No novo ambiente de comunidade, La Salle e professores, organizaram a vivência, com horários e compromissos. Essa comunidade nascente, em 26 de junho de 1680, destinava o dia de trabalho às aulas aos meninos pobres. Aos poucos, de simples professores, passaram a denominar-se de Irmãos e comprometeram-se, por voto, a serem educadores. Embora não fossem padres, consagraram-se inteiramente a Deus para O servirem através da educação da infância. Adotaram o nome de Irmãos das Escolas Cristãs.No Brasil tornou-se costume identificá-los como Irmãos Lassalistas.

A figura e a personalidade de S. João Batista de La Salle suscitaram o respeito e a admiração dos historiadores de todas as tendências. E não há hoje ninguém que possa pôr em dúvida os méritos excepcionais de sua obra nos planos histórico, social e civil. Com efeito, num período em que o ensino popular não existia, João Batista de La Salle foi o verdadeiro fundador da escola popular elementar; fundador da primeira escola de magistério (de preparação de professores para o ensino fundamental), de ensino secundário profissional, criação de cursos noturnos e dominicais para trabalhadores e aprendizes, e também internato para condenados pelos tribunais. E ainda, foi um verdadeiro revolucionário em metodologia: introduziu, com sucesso, o método de alfabetização simultânea e exigia de seus mestres que dessem atenção às dificuldades de aprendizagem de seus alunos e atendessem os objetivos dos alunos em relação ao que era importante aprender para a vida de trabalho deles. Introduziu a língua materna na alfabetização em substituição ao latim; proibiu aos seus professores os castigos corporais e para cujo sucesso desta proibição escreveu um precioso tratado de disciplina preventiva; formou os professores na pedagogia do amor aos alunos, sintetizada na citação: “À firmeza de pai deveis aliar ternura de mãe”. Por sua enorme contribuição à educação, La Salle é considerado o “INTRODUTOR DO ENSINO POPULAR NA FRANÇA”. A par de seus méritos no campo da pedagogia, sintetizados no livro “Guia das Escolas”, La Salle é Mestre em Espiritualidade dos Educadores, graças a sua experiência de vida com eles. Nas Meditações que escreveu para educadores insiste no cuidado com as dimensões física, psíquica, espiritual e postura de cidadania.O sucesso na educação exige um educador que harmonize as dimensões humanas.

O Instituto dos Irmãos das Escolas Cristãs, ao longo desses três séculos estendeu-se por todo o mundo. La Salle morre em 1719 e os 101 Irmãos que compunham a Congregação Lassalista herdaram doutrina e exemplo e transformam as pequenas comunidades apenas pressentes na França e uma em Roma, em um numeroso Instituto que ultrapassou a 17.000 irmãos. Na década de 1950.
No decorrer do século XX, as Escolas Lassalistas, que eram só para meninos e tendo a sua frente unicamente Irmãos Religiosos, passaram a ser mistas e a aceitar leigos e leigas, que partilharam da espiritualidade e dos ideais educativos de La Salle.

Assinala-se que, em 24 de maio de 1900, La Salle foi proclamado pelo Papa Leão XIII, herói nas virtudes cristãs e canonizado. E em 15 de maio de 1950, às vésperas do tricentenário de seu nascimento, o Papa Pio XII o proclamou PATRONO UNIVERSAL DOS EDUCADORES CRISTÃOS.

 
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